Foto: Reprodução/Facebook

No dia 17 de março de 2014 era deflagrada a primeira fase da Operação Lava Jato, considerada uma das maiores ações anticorrupção da história mundial.

Rapidamente a operação ganhou força, e foi o ingrediente que incendiou as eleições presidenciais naquele ano, em que a petista Dilma Roussef venceu a disputa.

Mesmo ganhando corpo rapidamente, a Lava Jato ainda era apenas uma jovem destemida naquela época. Quatro anos depois a Lava Jato amadureceu, e já virou praticamente uma instituição no combate à corrupção no poder público.

Mas a essência do problema seriam apenas os jogadores, no caso os políticos corruptos? Ou as regras do jogo, que permitem a roubalheira de montanhas de dinheiro público?

A CBN entrevistou com exclusividade o Procurador Regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, que atua na força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba, com o objetivo de tentar entender a fórmula deste buraco negro.

Segundo ele existe uma distorção de valores relacionada ao conceito de sucesso pessoal aqui no Brasil. Ironicamente os problemas de conduta começam quando “se chega lá”, no topo da pirâmide, onde as regras são ditadas pelo tráfico de influência das elites.

Carlos Fernando Santos Lima diz que a Lava Jato convive com uma série de questionamentos, o que é absolutamente aceitável em uma democracia.

Mas, segundo ele, a impunidade que impera no país pode colocar em cheque toda a ação. Muitos aguardam o momento certo para tripudiar sobre a Força Tarefa, caso não haja a devida punição dos acusados.

O procurador fez críticas ao Foro Privilegiado, que impede políticos exercendo o mandato de serem julgados pela Justiça comum.

Com relação às investigações, a Lava Jato é um sucesso na avaliação de Carlos Fernando Santos Lima. Mas ele rechaça as insinuações de que a operação está servindo como um trampolim para conquistas pessoais dos que integram a força-tarefa.

O procurador é enfático ao analisar o atual sistema político brasileiro. Um sistema que está em colapso, mas segundo Carlos Fernando, ainda é um sedutor convite para a corrupção de agentes públicos. O procurador revela um desejo: que o atual modelo seja definitivamente sepultado dentro de alguns anos.

A intolerância que tomou conta das discussões envolvendo posicionamentos políticos, principalmente em redes sociais, é condenável, mas não é exclusividade do Brasil segundo ele.

Carlos Fernando Dos Santos Lima diz que há uma apreensão sobre um período negro pelo qual deve enfrentar a Lava Jato. Segundo ele, após o primeiro turno das eleições, a operação deve sofrer ataques de todos os lados, tanto por parte dos derrotados, quanto daqueles que obtiverem sucesso nas urnas, mas são investigados.

Apesar das críticas envolvendo o atual sistema político, Carlos Fernando Dos Santos Lima, diz acreditar ainda que toda e qualquer tipo de solução referente ao fim da corrupção passa obrigatoriamente pela democracia.

Repórter Fábio Buchmann, com colaboração de Joyce Carvalho

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