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Quase dez anos depois, uma decisão que não deve ser mais alterada. O ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho não deve ficar preso nenhum dia pela morte de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida, em um acidente de trânsito, em 2009.

Nesta quinta-feira (7), a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu reduzir a pena de Carli Filho para sete anos, quatro meses e 20 dias de prisão em regime semiaberto.

Em fevereiro de 2018, o ex-deputado estadual foi condenado em Júri Popular, pelo juiz Daniel Surdi de Avelar, a nove anos e quatro meses de prisão pelo crime de duplo homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, pela morte dos jovens, no caso por estar embriagado e dirigir em alta velocidade.

O Ministério Público do Paraná entrou com recurso para o aumento da pena, enquanto a defesa de Carli Filho queria a redução.

O julgamento dos recursos começou em dezembro de 2018, mas foi suspenso por divergências sobre o tempo de prisão. Nesta situação, não é feito um julgamento se o ex-deputado era culpado ou inocente, mas sim, se o julgamento foi justo, se cumpriu todos os protocolos legais e se a dosimetria da pena era compatível com o caso, ou seja, se o tempo de prisão imposto ao acusado foi o correto.

No entendimento do relator do caso, desembargador Naor Macedo, o tempo definido no júri foi justo e manteve o tempo de prisão para cumprimento em regime fechado.

Por outro lado, o revisor, desembargador Clayton Camargo, reduziu a pena para sete anos de reclusão, em regime semiaberto.

O vogal desembargador Miguel Kfouri, também reduziu a pena de Carli Filho, mas para sete anos, quatro meses e 20 dias, também em regime semiaberto.

Na retomada do julgamento, nesta quinta, Clayton Camargo cedeu ao entendimento do Kfouri, e definiu o mesmo tempo de pena imposto pelo vogal.

Com a redução para menos de oito anos, o ex-deputado teria que cumprir a pena em regime semiaberto, tendo que passar a noite em uma unidade prisional, mas, segundo o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR), o número de presos à espera por vagas no regime semiaberto é maior do que as vagas disponíveis, com isso, o ex-deputado deve cumprir a pena com o uso de tornozeleira eletrônica.

As famílias dos jovens, que já não haviam entrado com recurso para aumento de pena, também não vão recorrer da decisão desta quinta-feira.

A defesa de Carli Filho não quis se manifestar sobre a decisão.

Repórter William Bittar