Retrospectiva: 2020, o ano alterado pela pandemia de Covid-19

Retrospectiva: 2020, o ano alterado pela pandemia de Covid-19
Foto: Pixabay

O vírus, que parecia distante lá do outro lado do mundo, tomou conta do planeta em 2020 e chegou ao Brasil. Batizada de Covid-19, a doença mudou completamente todos os planos por um período que ainda é incerto.

Aqui no Paraná, casos suspeitos, de pessoas que voltaram de viagem da China, começaram a aparecer em janeiro, mas foram descartados no dia 29 daquele mês, quando o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, pediu calma, já que naquela ocasião a dengue preocupava muito mais. Ainda era desconhecido o que estaria por vir.

O quadro era tão incerto, com poucas informações, que o que hoje é considerado crucial para adotar medidas, como os sintomas, no início do ano não era.

O primeiro caso de Covid-19 no Brasil foi confirmado pelo Ministério da Saúde no dia 26 de fevereiro. Era um homem, de 61 anos, morador de São Paulo, que esteve na Itália. Aqui no Paraná, os primeiros registros positivos de infecção pelo novo coronavírus ocorreram 15 dias depois, em 12 de março. Foram seis confirmações: cinco pessoas em Curitiba e uma em Cianorte, na região noroeste. Todos os casos eram importados, ou seja, os pacientes haviam sido contaminados durante viagem ao Exterior.

Naquela data, o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), pediu tranquilidade para população.

Poucos dias depois, em 16 de março, o Governo do Paraná determinou a suspensão, por tempo indeterminado, de aulas presenciais em escolas e universidades públicas estaduais. A pausa nas atividades educacionais passou a valer em 20 de março. A decisão foi seguida por escolas particulares e pelo ensino municipal.

O Poder Executivo também suspendeu imediatamente eventos abertos ao público de qualquer natureza com aglomerações acima de 50 pessoas e adiou cirurgias eletivas para garantir espaços em hospitais. Foram suspensas ainda as visitas em eventos artísticos e culturais e em hospitais, penitenciárias e centros de socioeducação, por tempo indeterminado.

O governador Ratinho Junior (PSD) pediu a colaboração das entidades privadas.

Com o aumento de casos suspeitos, a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Márcia Huçulak, garantiu que a Arena da Baixada não seria utilizada como hospital de campanha e reforçou a necessidade de as pessoas ficarem em casa, seguindo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Montadoras da Grande Curitiba decidiram parar as atividades com férias coletivas e empresas adotaram o home office.

Na capital, outras medidas de prevenção também foram realizadas, como a higienização de locais públicos.

Márcia Huçulak e Greca reforçaram o pedido para que as pessoas não espalhassem Fake News. Até aquela ocasião, a capital não tinha mortes por Covid-19.

Mas os primeiros óbitos não demoraram a ocorrer. Dois dias depois, Maringá, na região norte, teve duas mortes confirmadas – eram as primeiras do Paraná. Em um intervalo de uma semana, no dia 6 de abril, Curitiba também confirmou a primeira vítima: uma mulher, de 56 anos, com comorbidades, que havia retornado de São Paulo, de acordo com a médica infectologista da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Marion Burger.

O uso de máscaras de proteção, álcool em gel e distanciamento social passaram a ser indispensáveis na rotina diária.

No meio do caos, com as fronteiras e aeroportos pelo mundo fechados, curitibanos que estavam em outros países pediam ajuda para retornar ao Brasil.

Com aumento de casos e mortes e indicação da falta de equipamentos nos serviços de saúde, Curitiba decidiu implantar, em junho, um sistema de bandeiras com três cores para definir a situação da pandemia do novo coronavírus e restrições no funcionamento de serviços e empresas.

Em 13 de junho, a capital adotou pela primeira vez a bandeira laranja, quando somava 1.777 casos confirmados de Covid-19 e 78 óbitos. A ocupação dos leitos de UTI por pacientes do novo coronavírus era de 74%, a maior registrada até então.

A partir daí estavam suspensas atividades de academias, bares e igrejas, além de restrições no comércio.

Com a falta de insumos, a Vigilância Sanitária confiscou anestésicos em clínicas de cirurgias plásticas de Curitiba e distribuidoras de medicamentos.

A capital entrou em estabilidade em julho e reduziu os registros da doença de agosto para setembro. Outubro foi um mês mais calmo em relação aos novos casos, com a média diária próxima dos 300. A cidade já havia, inclusive, retornado para bandeira amarela, após vivenciar duas vezes a bandeira laranja.

No entanto, quando parecia que a doença estava controlada, em novembro, ela voltou com força e deixou em colapso o sistema de saúde público e privado. Hospitais tiveram que fechar as portas porque não tinham mais como receber pacientes. Os leitos de UTI ficaram próximos do esgotamento, com mais de 90% de ocupação, e os profissionais de saúde chegaram a exaustão física e mental. Um cenário nunca antes visto.

Alertas foram emitidos pelo Conselho Regional de Medicina, e a presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Simone Peruzzo, reforçou que sem profissionais não era possível atender a população adequadamente.

A cidade voltou a bandeira laranja em 27 de novembro e, após prorrogação do decreto, segue assim até 9 de janeiro, pelo menos. Em todo o Paraná, está em vigor, o “toque de recolher” que restringe a circulação de pessoas entre às 23h e às 5h e proíbe a venda e o consumo de bebidas alcoólicas em vias públicas.

Mesmo com a aprovação de uma vacina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a data que a imunização acontecerá ainda é incerta.

O apelo feito durante maior parte do ano, de isolar pessoas com sintomas, permanece.

Com o fim de 2020, infelizmente, o vírus não vai embora, seguiremos lutando contra ele por algum tempo. Por isso, use máscara, higienize as mãos com frequência e evite aglomerações. Neste momento, distanciamento social é ato de amor.

Repórter Francielly Azevedo