Foto: arquivo / Prefeitura de Paranaguá

O novo advogado do deputado afastado Rodrigo Rocha Loures, do PMDB-PR, é o criminalista e professor de Direito Penal, Cezar Roberto Bitencourt, que tem escritório em Brasília. O antigo defensor, José Luis de Oliveira Lima, conhecido como Juca, anunciou nesta segunda-feira a saída do caso por “motivos de foro íntimo”. Logo em seguida, Rocha Loures contratou o escritório de Cezar Bitencourt.

O criminalista é um crítico ferrenho das delações premiadas. Ele já publicou inúmeros artigos contrários aos acordos, inclusive com críticas às colaborações firmadas no âmbito da Lava Jato. Em dezembro de 2014, Bitencourt disse que as delações estavam contaminadas de inconstitucionalidades. Ele também criticou os investigadores da Lava Jato, que teriam cometido equívocos graves, especialmente nos métodos e procedimentos adotados, contrariando fundamentos legais e garantias constitucionais.

Logo depois que as delações da JBS vieram à tona, implicando o próprio Rocha Loures e o presidente Michel Temer, o criminalista publicou um artigo dizendo que Temer foi vítima de “armação”, ao ser gravado pelo empresário Joesley Batista. Em outro artigo, Bitencourt criticou as “ações controladas” feitas pela Polícia Federal para conseguir provas e flagrantes. Foi em uma ação controlada que Rocha Loures foi filmado recebendo uma mala da JBS com R$ 500 mil em propina. Novamente, o criminalista falou em “armadilha”, que estaria travestida de ação controlada ou flagrante provocado.

A contratação de Bitencourt indica que Rocha Loures vai tentar outras linhas de defesa antes de partir para uma delação premiada. Nos bastidores, circulava a informação de que o deputado afastado poderia colaborar, até porque o antigo defensor também negocia as delações de executivos da OAS.

Mas, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Cezar Bitencourt deixou claro que delatar será a última estratégia. Ele disse que vai trabalhar com uma defesa técnica para mostrar as falhas da investigação e a ilegalidade das gravações feitas pela JBS contra Rocha Loures. Apesar de não descartar completamente a colaboração, o criminalista disse que, por enquanto, o deputado afastado não deve procurar o Ministério Público para firmar o acordo.

Repórter Tabata Viapiana

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