Sem medicamento, transplante de medula pode ficar comprometido

Sem medicamento, transplante de medula pode ficar comprometido
Foto: iStock

A partir de junho deste ano, o medicamento bussulfano, fundamental para o transplante de medula óssea, deixará de ser distribuído no país e isso pode comprometer quase 70% dos transplantes de medula óssea (TMO) realizados em hospitais do Paraná.

A suspensão na distribuição do bussulfano foi anunciada em novembro de 2020, pelo laboratório francês Pierre Fabre, único distribuidor do medicamento no país.

Muito associado ao tratamento oncológico, o transplante é também a única esperança de vida para pessoas com diversas doenças raras.

O transplante de medula óssea trata doenças malignas e não malignas, como as leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, neuroblastoma, imunodeficiências, falências medulares, entre outras.

O Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, por exemplo, foi responsável por mais de 65% dos procedimentos em crianças e adolescentes no Paraná, em 2019, e a preocupação só aumenta com o passar dos dias.

O Hospital prevê que 70% dos transplantes deixariam de ser feitos devido à falta do remédio. Atualmente, 52 crianças e adolescentes esperam por um transplante de medula óssea no Pequeno Príncipe.

A chefe do setor de Transplante de Medula Óssea do Pequeno Príncipe, Carmem Maria Sales Bonfim, ressalta que vários pedidos já foram feitos para tentar adiar a interrupção de distribuição do medicamento, mas, por enquanto, nada mudou.

A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia, a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea (SBTMO) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope) já manifestaram preocupação como a inviabilidade de realizar qualquer transplante de medula óssea no país caso não haja nenhuma medida para impedir a interrupção do acesso ao bussulfano ou alguma alternativa seja encontrada brevemente.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), informou que, por causa da importância do medicamento, estuda ações e medidas que possam favorecer o acesso a produtos similares.

A SESA-PR informa que o medicamento bussulfano não faz parte do elenco de medicamentos com aquisição centralizada pelo Ministério da Saúde (MS). As Secretarias Estaduais questionaram o MS acerca do assunto, por meio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS, solicitando que o MS atue junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e demais órgãos competentes, de modo a evitar a descontinuação da comercialização do produto no Brasil. Até a presente data não houve retorno do MS.

Repórter William Bittar