Foto: Gil Ferreira/CNJ

O juiz federal Sergio Moro enviou um ofício nesta quinta-feira para o Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo o acesso de policiais federais aos sistemas eletrônicos utilizados no chamado Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht.

Este ofício consta no processo relacionado ao possível pagamento de vantagens indevidas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio da aquisição de um imóvel para o Instituto Lula e um apartamento vizinho ao do ex-presidente em São Bernardo do Campo.

Os sistemas eletrônicos foram disponibilizados no acordo firmado pelo Grupo Odebrecht com a Justiça. Este material está sob guarda da Procuradoria Geral da República, conforme informações do Ministério Público Federal no Paraná. Por isto, Sérgio Moro fez esta solicitação para Rodrigo Janot.

O juiz traz, no documento, que deferiu o pedido da defesa de Lula para a realização de perícia sobre os sistemas eletrônicos utilizados pela Odebrecht para lançamentos na contabilidade informal de pagamento de vantagens indevidas.

O juiz ainda lembrou que a defesa queria acesso irrestrito aos sistemas e disse que seria inviável fornecer cópia dos sistemas Drousys ou MyWebDay aos advogados ou a qualquer outra defesa. Moro argumenta que existe uma dificuldade técnica, pois são vários HDs e os sistemas contêm informações que são relevantes para outras ações penais e investigações em andamento e ainda a serem instauradas. Por isto, segundo Sérgio Moro, o fornecimento de cópia poderia afetar estas atividades.

Sérgio Moro ainda explica que a melhor forma de garantir à defesa o acesso às provas foi concordar com a realização de perícia sobre o material, para que seja feita uma descrição geral do que se tratam os dois sistemas e os seus funcionamentos.

Moro salienta que a defesa de Lula poderá indicar assistente técnico, que terá acesso ao material juntamente com os peritos da Polícia Federal. Moro ainda cita que o acesso poderá ocorrer, se necessário, nas próprias dependências da Procuradoria Geral da Pública.

Repórter Joyce Carvalho

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