Foto: Festival de Curitiba
Terrazza Panorâmico
Foto: Festival de Curitiba

Takashi Morita, Junko Watanabe e Kunihiko Bonkohara estavam em Hiroshima na fatídica manhã de 6 de agosto quando a explosão devastou a cidade e matou mais de 140 mil pessoas.

A peça “Os três sobreviventes” lembra a experiência do elenco não só do exato momento do bombardeio, como nos dias após a explosão, e a imigração para um país totalmente desconhecido deles – o Brasil.

O diretor, Rogério Nagai, conta que descobriu os três sobreviventes em uma associação de imigrantes japoneses, em São Paulo. Lá, começou todo o processo de pesquisa e de apresentação da arte cênica.

A peça embarca no gênero do Teatro documentário, e se apresenta como um Bio Drama. Os relatos dos sobreviventes se misturam com alguns trechos de ficção.

Takashi, de 93 anos, sobreviveu a um bombardeiro em Tóquio que matou mais de 100 mil pessoas, e por isso voltou a Hiroshima uma semana antes da explosão. Ela tinha 21 anos na época e sofreu queimaduras e com a radiação desenvolveu leucemia.

Ela divide o palco com Junko, de 73 anos, que tinha apenas dois anos quando a chuva radioativa a atingiu enquanto brincava ela com o irmão a 18 km da explosão. Ela não se lembra do que aconteceu, e a família dela escondeu o episódio. Junko só descobriu que era uma sobrevivente de Hiroshima aos 38 anos.

O terceiro integrante é Kunihiko, 76 anos, que se mudou para Hiroshima quatro meses antes do ataque. Tinha cinco anos, e estava com o pai a 2 km do centro do bombardeio. Os dois ficaram feridos com estilhaços de vidro e a mãe e a irmã mais velha dele, que estavam no centro da cidade, morreram carbonizados e seus corpos nunca foram encontrados.

A reportagem da CBN Curitiba questionou o diretor como é para o elenco ter que reviver esses momentos tão dramáticos, diversas vezes. Nagai conta que os três se motivam a contar essas histórias para que episódios semelhantes não aconteçam.

A peça “Os três sobreviventes” faz parte da programação da Mostra do Fringe, do Festival de Curitiba, e é apresentada em duas sessões. Nesta sexta (7), às 20h30 e neste sábado, às 10h30, na Secretaria Estadual da Cultura. A apresentação é no Auditório Brasílio Itiberê na Rua Cruz Machado, 138, Centro. A entrada é gratuita por isso é preciso retirar os ingressos com uma hora de antecedência.

 

Repórter Ana Krüger

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