CPI-JMK-coletiva
Foto: William Bittar
Terrazza Panorâmico

Um dos sócios da empresa JMK, Aldo Marchini Junior, que era responsável pela manutenção da frota de veículos do Governo do Paraná, entre 2015 e maio deste ano, prestou esclarecimentos à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na manhã desta terça-feira (29), sobre as investigações da CPI e da Polícia Civil em relação a supostas irregularidades cometidas pela empresa.

Marchini Júnior chegou a sugerir que a quebra do contrato da JMK com o Governo do Paraná, em maio, logo após a Operação Peça-Chave, aconteceu por uma pressão do novo governo, que já teria outra empresa para assumir o contrato emergencial.

Segundo as investigações da Divisão de Combate à Corrupção da Polícia Civil, a JMK falsificava e adulterava orçamentos de oficinas mecânicas aumentando o valor do serviço prestado e provocando superfaturamentos que chegariam a 2450%.

O sócio da JMK negou que os valores eram superfaturados e reafirmou que o sistema era antifraudes, uma vez que tanto a empresa, quanto as oficinas e os órgãos do governo tinham acesso aos valores orçados e apresentados.

Marchini Júnior, no entanto, afirmou que nunca houve qualquer tipo de fiscalização dos contratos, orçamentos e prestação dos serviços por parte do Poder Executivo, por meio do Departamento de Gestão do Transporte Oficial (DETO).

Aldo Marchini Júnior falou durante mais de duas horas e respondeu questionamentos dos deputados integrantes da CPI.

Durante os questionamentos, ele foi abordado sobre uma suposta decisão interna da JMK para que fossem feitos direcionamentos de manutenção da frota para a empresa ADC Automecânica, que tem a JMK com participação nos lucros.

De acordo com a Polícia Civil, o prejuízo causado aos cofres públicos por conta das irregularidades apontadas pela investigação policial ultrapassa R$ 125 milhões.

Aldo Marchini Junior e Jairo Cezar Vernalha Guimarães foram indiciados pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraude em licitação, falsidade ideológica, falsificação de documentos e organização criminosa. Os dois chegaram a ser presos em maio deste ano durante a Operação Peça-Chave.

Em nota divulgada na semana passada, a JMK ressaltou que ““vai apresentar à Justiça todas as provas de que cumpriu rigorosamente o contrato e está à disposição do Ministério Público para qualquer esclarecimento”.

A CBN Curitiba entrou em contato com o Governo do Paraná para obter um retorno sobre a afirmação de Marchini Junior durante a CPI. O Governo emitiu a seguinte nota:

“O Governo do Paraná tem absoluta tranquilidade quanto à lisura do processo que levou ao rompimento do contrato com a empresa JMK. Em nenhum momento a atual administração cogitou a renovação da prestação de serviços com esta empresa, exceto por um curto período emergencial. Cabe ressaltar que nenhuma reunião entre integrantes do atual governo com a empresa JMK aconteceu sem a presença de vários participantes, e todas ocorreram dentro da sede administrativa do Estado. A atual gestão assumiu em janeiro com cerca de 40% da frota parada e grande número de ações judiciais movidas por oficinas contra o Estado do Paraná por falta de pagamento. Ao assumir, o governo encontrou um pagamento realizado no final de 2018 no valor de R$ 10,5 milhões e um valor pendente (para 2 de janeiro) de R$ 7,5 milhões, sem qualquer instrumento legal que o respaldasse. Em decisão conjunta com a Procuradoria-Geral do Estado, foi movida ação para que a Justiça autorizasse o depósito em juízo do valor aparentemente irregular, e solicitar o cumprimento integral do contrato. Também foi necessário recorrer à Justiça para a autorização de pagamento direto às oficinas que estavam sem receber. Os servidores públicos que atuaram no processo administrativo que deu fim ao contrato da JMK estão à disposição da CPI para quaisquer esclarecimentos”.

Repórter William Bittar